AHEG reúne gestores para discutir infraestrutura inteligente e eficiência hospitalar
Publicado em : 08/10/2026
Terceiro encontro de 2026 abordou como a disponibilidade de laudos, a infraestrutura digital, a inteligência artificial e o planejamento arquitetônico influenciam a assistência e a sustentabilidade dos hospitais.
A Associação dos Hospitais do Estado de Goiás (AHEG) realizou, em 7 de outubro, o 3º Encontro dos Gestores Hospitalares do Estado de Goiás de 2026. Com o tema "Infraestrutura Hospitalar Inteligente: Arquitetura, Tecnologia, Eficiência e Sustentabilidade", o evento reuniu gestores, associados, especialistas e parceiros para discutir decisões que impactam o funcionamento dos hospitais, a qualidade do atendimento e os resultados das instituições.
A abertura institucional contou com o presidente da AHEG, Dr. Adelvânio Francisco Morato. Integrando uma série de quatro encontros previstos para o ano, a iniciativa amplia o espaço de atualização e troca de experiências entre lideranças hospitalares, aproximando os desafios da gestão de soluções aplicáveis à rotina das organizações.
As três apresentações trouxeram perspectivas complementares sobre infraestrutura: a continuidade dos serviços de diagnóstico, a sustentação tecnológica da operação e a organização dos espaços assistenciais. Um ponto comum percorreu os conteúdos: decisões sobre sistemas, equipes e ambientes têm consequências que se estendem à assistência, à produtividade e ao equilíbrio financeiro dos hospitais.
Disponibilidade de laudos e continuidade do atendimento
Diego Uchoa, sócio-fundador da Santé Medicina Diagnóstica, abordou a redução de perdas financeiras no diagnóstico por imagem, destacando a relação entre disponibilidade de laudos, continuidade do atendimento e faturamento. Sua apresentação diferenciou os riscos associados aos equipamentos e sistemas daqueles relacionados à disponibilidade de profissionais para interpretar os exames.
Entre os exemplos discutidos, o atraso na emissão de laudos pode represar decisões clínicas, comprometer prazos e gerar gargalos no faturamento. A apresentação mostrou que contar com equipamentos em funcionamento é apenas uma parte da operação: também é necessário organizar a capacidade de entrega dos laudos conforme o volume e as demandas do serviço.
Nesse contexto, Diego apresentou o modelo de apoio por uma equipe dedicada, com escala dimensionada, integração ao sistema de imagens do hospital e prazos formalizados em contrato. A proposta busca reduzir o risco de indisponibilidade e ampliar a previsibilidade da operação, preservando a responsabilidade da instituição sobre sua estrutura tecnológica.
Infraestrutura digital como base da gestão
Lucas Boaventura, da Pixeon, apresentou o tema "Como a infraestrutura digital e a inteligência artificial aumentam a eficiência operacional". A abordagem posicionou a tecnologia da informação como uma base da governança hospitalar, com efeitos sobre os processos assistenciais, financeiros e de proteção das informações.
Para demonstrar o impacto de uma interrupção, Lucas apresentou um cenário ilustrativo em que uma hora de sistema parado representaria um prejuízo estimado de R$ 5.170, considerando receita não realizada, equipe parada e efeitos como retrabalho e exames perdidos. O exemplo evidenciou que o custo da indisponibilidade ultrapassa a manutenção técnica e pode repercutir em diferentes etapas do atendimento.
A apresentação também comparou estruturas locais e serviços em nuvem, destacando critérios como manutenção, obsolescência, conectividade, segurança, custos ao longo do tempo e condições contratuais. Na discussão sobre inteligência artificial, foram apresentadas possibilidades de aplicação na priorização de exames críticos, no apoio à elaboração de laudos, na gestão de leitos, nas agendas e na auditoria de contas.
O conteúdo ressaltou quatro condições para transformar essas aplicações em ganhos operacionais: dados padronizados, integração aos fluxos de trabalho, indicadores definidos previamente e governança. Acompanhamento da disponibilidade dos sistemas, do tempo de emissão de laudos e das falhas com impacto financeiro também esteve entre os pontos apresentados aos gestores.
Arquitetura integrada à operação hospitalar
Amanda Marinho, arquiteta e urbanista e diretora regional da ABDEH Goiás, abordou como o planejamento inteligente dos espaços pode transformar a eficiência hospitalar. Sua apresentação destacou que o hospital funciona como um sistema integrado de pessoas, processos, fluxos e ambientes.
Ao comparar diferentes configurações de espaços, Amanda demonstrou como áreas de mesma metragem podem produzir resultados distintos conforme sua localização, proximidade entre setores e organização dos percursos. Distância, fluxo, flexibilidade e manutenção foram apresentados como decisões de projeto que influenciam diariamente o deslocamento das equipes, a espera dos pacientes, o retrabalho e os custos operacionais.
Outro destaque foi a incorporação dos requisitos sanitários desde o início do planejamento. A apresentação relacionou conformidade e funcionalidade à construção de processos mais previsíveis, com menos improvisações e maior segurança. Como exemplo prático, Amanda apresentou o projeto do Hospital Municipal de Novo Brasil, envolvendo ampliação e adequação dos fluxos, com aprovação do projeto em quatro meses, conforme o material exibido.
O encontro abriu espaço para debate e interação entre os participantes, conectando as reflexões das palestras aos desafios da gestão hospitalar. A condução ficou a cargo de Viviã de Sousa, da VIVA+ Comunicação, cuja equipe também contribuiu para a realização do evento.
A edição contou com o apoio de Sicoob UniCentro Br, Pixeon, Fin-x, Santé Medicina Diagnóstica e TOTVS. Com a iniciativa, a AHEG dá continuidade à agenda de encontros voltada à disseminação de conhecimento, à conexão entre gestores e ao fortalecimento do setor hospitalar goiano.
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